Pedro Alves pela segunda vez na Transgrancanaria.

Pedro Alves no UTMB em 2009

Realiza-se neste fim-de-semana mais uma edição da Transgrancanaria, prova que desde a sua primeira edição adquiriu a reputação de umas das mais duras provas de trail de Espanha e a cada ano que passa ganha um relevante aumento de participantes. Esta edição contará com a presença do atleta Pedro Alves (Clube Aventura da Madeira) , que será a sua segunda presença nesta prova que curiosamente foi a sua estreia neste tipo de provas.

Pedro juntamente com os outros colegas Gonçalo Silva e Miguel Gonçalves (Clube Aventura da Madeira) conseguiram terminar esta prova em 2008, edição que mostrou a dureza desta prova, onde cerca de 70% dos participantes acabaram por não resistir à dificuldade técnica do percurso e as elevadas temperaturas que se fizeram sentir! Este ano a prova está ainda mais difícil, dos 115km’s em 2008 passou para os 123km’s e o desnível positivo acumulado de 6500m para 8400m. A prova começa ás 00:00 do dia 6 (sábado) na Playa del Ingles e seguirá até ao lado norte, mais concretamente até à Playa de Las Canteras, que têm como a barreira horária limite as 06.00 do dia 7 (domingo). O atleta do CAMadeira já se encontra em Gran Canaria desde o dia de ontem, para efectuar o habitual controle do material obrigatório e levantamento do peitoral.

Pedro Alves adiantou que “a minha participação não tem grandes ambições, apenas terminar… pois esta participação é encarada mais como um treino para o Tor des Geants em Setembro, que irei participar mais o Gonçalo Silva em Itália. Ainda como preparação também irei participar no Ultra Trail da Serra da Freita e o Ultra Trail do Atlas de Toubkal em Marrocos.”.

O Clube Aventura da Madeira irá posteriormente publicar neste blog o relato do Pedro deste seu novo desafio, que se tem afirmado cada vez mais como um atleta regular desta modalidade.

Gonçalo Silva – Um dos “duros” do Touch Guy 2010!

O dia 31 de Janeiro de 2010 ficará na memória de Gonçalo Silva, após concluir uma das provas mais duras em que participou, o “Tough Guy”. Um evento que se realiza há 20 anos em Perton, Inglaterra.

Pelas características especiais que rodeiam este desafio e as condições a que estão expostos os corajosos participantes, a superação é muito mais que física. A transposição de vários obstáculos artificiais, lagos de águas gélidas, saltos e muita lama elevaram a exigência psicológica, necessária para ultrapassar o frio que se fez sentir, e que constituiu a maior dificuldade que o atleta madeirense teve que superar, para concluir este evento na 816.ª posição, entre os 3683 bravos que terminaram, dos 5000 candidatos à partida.

Gonçalo Silva conta a experiência vivida nesta prova, partilhando toda a história da sua participação numa entrevista concedida ao “blog” de Trail do Clube Aventura da Madeira.

  • Gonçalo explica-nos em que consiste o desafio do “Tough Guy”, agora que és um dos que concluíram esta dura prova?

O “Tough Guy” é um teste aos nossos limites expondo o nosso corpo, num pequeno espaço de tempo, a condições físicas muito adversas. Trata-se de um circuito que dá quase duas voltas a uma enorme quinta. A primeira parte da prova é praticamente seca, que nos possibilita aquecer bem o corpo e estarmos mais preparados para a segunda parte molhada e fria. Começamos num cenário épico, digno de um filme de guerra, após o tiro de um canhão da 1º Guerra Mundial partimos em direcção a uma densa cortina de fumo onde não temos mesmo visibilidade alguma, indo aos encontrões com alguém que nos surja pela frente, de lado, detrás… depois temos um cross durinho com uns obstáculos para saltar e uma série de subidas e descidas num encosta com inclinação a aumentar cada vez mais, era o “Slalom” que nos fez aquecer muito bem, mas desgastou a maior parte dos participantes. Logo depois começam os verdadeiros obstáculos, lama, água e frio… é a entrada nos “Campos Assassinos”, obstáculos e obstáculos todos uns atrás dos outros até a meta no celeiro!!! Esta última secção, chamada então de “Campos Assassinos”, é a razão desta prova onde se concentram os familiares e apoiantes dos participantes…onde se desenrola a acção principal.

  • Ficaste surpreendido relativamente às tuas expectativas iniciais? A prova foi mais dura que pensavas ou estava dentro das perspectivas apresentadas pela organização através das imagens e dos vídeos de edições anteriores?

Quando cheguei ao lugar da prova fiquei surpreendido, até mais intimidado, pois o cenário assustava um pouco. Tudo o que era obstáculos de água estavam gelados, mesmo toda a superfície estava coberta por uma geada e só de pensar que ia ter que me meter dentro daqueles lagos gelados já me estava a doer o corpo todo. Mas depois a prova esteve dentro das minhas expectativas, mesmo de acordo com os vídeos que vi antes (especialmente em termos de obstáculos verticais), mas apesar de estar mentalizado do que ia ter que passar… o frio que se sente depois é inimaginável!

  • Qual foi o obstáculo mais difícil de transpor?

Sem dúvida todos que meteram água… muito fria mesmo! A temperatura ambiente era -3º antes do início da prova, quando cheguei ao local do evento, nevava ligeiramente e logo depois da prova nevou outra vez, mas com muito mais intensidade… os lagos estavam completamente gelados, com uma camada de gelo com espessura de 3cm. Os mais difíceis foram os que tive de mergulhar completamente na água gelada, nomeadamente o “túnel de água” onde temos de submergir uma série de troncos e que cada vez que emergimos para respirar era quase impossível, parecia que me estavam a comprimir de tal maneira a cabeça e o peito que não conseguia inspirar! O mesmo acontecia no “mergulho da morte”, um salto de uns 4 metros para um lago e éramos obrigados a nadar para sair, só que respirar ao nadar numa água gelada é complicado.

  • Algum relato de uma situação que te marcasse nesta prova?

São muitas as situações… começando pelo início mesmo antes da prova, conheci um português que também ia participar! Um emigrante em Luxemburgo que conhecia uns luxemburgueses que ficaram no mesmo hotel que eu, cheguei á prova com eles e nisto chega ao nosso pé um gajo com uma t-shirt de Portugal e a bandeira de Luxemburgo a servir de capa… estamos em todo o lado!!!!!

Depois o ambiente para a partida, os participantes são dispostos por grupos (sempre barulhentos): os Tough Guy Front Squad (individuias e equipas que conseguiram terminar uma edição anterior e serão os primeiros a sair ao tiro do canhão), depois são os Queen Wizzas (individuais e equipas) que juntamente com os Wobblemuckers partem dois minutos depois…de seguida partem os Wetnecks (os que não conseguiram terminar uma das edições anteriores) e finalmente são os Latebuggers, os Ghoons e os Dickheads (que praticamente fizeram a sua inscrição no último momento). Os grupos são dispostos então de acordo com o peitoral que mostra qual o nosso grupo, só que há uns espertos que metem-se num dos grupos que partem à frente. È um erro, entre os participantes andam uns Marslhals (juízes) disfarçados de bobo da corte que quando apanham um infractor, é levado debaixo de uma multidão aos apupos para um lugar elevado onde prendem-no pelas mãos e pescoço num instrumento da idade medieval para todos o verem e depois são colocados para últimos! Não é um nenhum momento violento, até pelo contrário, pois, toda a gente está à espera de ver qual é o desgraçado seguinte que vão gozar, sendo um momento de descontracção.

Depois de passar a meta, o cenário dentro do celeiro transformado em zona de assistência com enfermeiros e médicos, bebidas quentes e balneários é indescritível… primeiro nas bebidas quentes é só gente enrolada em mantas brilhantes, a tremer de tal forma, que derramam o chá quase todo e o pouco que conseguem manter dentro do copo quase não conseguem o levar á boca. Depois de beberem (o que conseguirem), passam então para os balneários onde ficam todos bem juntos debaixo de uma série de duches para começar a aumentar a temperatura corporal.

E é claro, as imagens que marcam esta prova… as caras de sofrimento dos participantes, alguns que seguem penosamente a tremer enrolados numa manta térmica (depois de uma assistência médica) e mesmo sem vontade vão se lançando novamente para a água gelada. Mas o que mais me impressionou foi a coragem de alguns participantes de tronco nu, alguns fazendo todos os obstáculos de água!!! Para mim foram os verdadeiros Tough Guys!!! Vi alguns praticamente com um fato de mergulho, o que acho uma situação um pouco injusta!!! Acho que a organização devia limitar o equipamento a usar, todos iam nas mesmas condições ou quase nas mesmas.. condições que deviam ser, claro as mais duras. Eu próprio corri com uma lycra nas pernas, uma t-shirt de actividades náuticas e uma Drif-fit de mangas longas por cima, mas para o ano vou só de calções e uma t-shirt… quase solidário com os “bravos do pelotão”! Aguentou… sim senhores, parabéns… não aguentou… paciência, para o ano há mais!

  • Como viste a convivência entre os participantes, antes, durante e depois da competição?

O ambiente que se vive na prova é de facto uma das melhores características. Logo antes da prova, há os primeiros relacionamentos entre os participantes… “De onde vens?”, “Primeira vez?”, “Que te fez vir cá para esta locura?”, são as perguntas habituais como meio de aproximação. Ao longo da prova é incrível o nível de inter-ajuda, à medida que um já ultrapassou o obstáculo ajuda imediatamente o que esta a seguir e assim sucessivamente. Sendo sempre uma “festa” quando encontramos alguém com quem falamos na zona da partida. Depois da prova são as normais trocas de impressões: “Os túneis de água foram o mais difícil.”, “Não conseguia respirar”, “não conseguia fechar as mãos”, etc… mas também a troca de contactos pessoais, após a promessa de um reencontro na próxima edição ou eventualmente numa outra prova.

  • Que conselhos darias aos potenciais estreantes nesta prova?

O grau de tolerância ao frio é diferente de pessoa para pessoa, mas o principal conselho é ter uma boa consciência do seu grau de tolerância e ir equipado para poder suportar aquele ambiente. Na prova vemos muita gente que não é praticante de desporto, mas que efectivamente termina a prova e com muito mérito também, e até chegam a ficar muito mais tempo expostos aquelas condições. Como seguem a um ritmo mais lento, não aquecem muito ficando logo muito mais sujeitos a uma hipotermia. Deste modo, uma ligeira preparação física irá ajudar bastante, pois sempre possibilitará aquecer o corpo um pouco e terminar mais rapidamente. As extremidades são as mais sacrificadas, deste modo uma boa protecção das mãos e pés será o mais indicado. As mãos, para podermos fazer os obstáculos verticais em segurança, pois perdemos quase por completo o controlo delas, com o frio é muito difícil conseguir fechá-las e fazer força, os pés para podermos correr mais confortáveis, pois depois dos primeiros obstáculos com água ficamos com eles como uma peça de vidro, cada passo é uma dor e parece que se vai partir. E muito importante, ao acabar a prova ir mudar o mais breve possível para uma roupa quente.

  • Esta é uma experiência para repetir?

Claro!!!! Por duas razões principais. a primeira que posso fazer uma melhor classificação, pois comecei com um ritmo lento a acompanhar os luxemburgueses que conheci no meu hotel, que acabei por ter de os deixar para trás pois estava sempre a esperar por eles (logo a arrefecer). Passei a prova toda a passar participantes, especialmente nos obstáculos, mas depois de terminar e fazer a análise do que passei e fiz, vi que podia ter seguido a um ritmo mais forte e conseguir um bom resultado mesmo… a segunda, é a de ter gostado muito desta experiência, o ter conseguido sobreviver aquelas condições faz-nos bem ao ego. Para ano poderei sair no Tough Guy Squad, que irá na frente a abrir o circuito sendo logo um desafio ligeiramente mais duro, pois como a organização (e Tough Guys anteriores) dizem… a água está mais quente depois de 2000 corpos passarem!

  • Quanto custou esta aventura depois de chegares a Inglaterra (transportes aeroporto, taxa da prova, alimentação, alojamento)?

A inscrição na prova quanto mais cedo for melhor, mas no mínimo serão 100€ a pagar. A viagem tive a vantagem de a Easy Jet voar directamente de Genebra para Birmingham, que fica muito perto do local da prova, e de lá segue-se de comboio até Wolverhampton. Em relação ao voo, como já se sabe, quanto mais cedo melhor e consegue-se viagem de ida e regresso a uns 60€, o comboio é barato, 15€ também ida e regresso a partir da estação do aeroporto até Wolverhampton, cuja estação fica a 200m do hotel que fiquei. O hotel arranjei estadia por 100€, duas noites, mas por minha culpa, pois se tivesse feito reserva quando me inscrevi na prova conseguia arranjar por 70€ e num hotel mais perto.

Fazendo as contas, juntando alimentação e alguma recordação da prova, a prova vai custar á volta de uns 350€.

  • A distância total e os obstáculos do “Tough Guy”  não se assemelham em nada a outros desafios que te lançaste anteriormente? Como surgiu a participação nesta prova?

Sim, praticamente nada em termos de formato, a não ser um ou outro raid de aventura que tenha participado onde também temos uma série de obstáculos a transpor. No Raid Millet, no ano passado aqui em Chamonix até que teve uma semelhança com o Tough Guy… o frio! Andamos acima dos 2000m na neve e numa das secções de manobras de cordas, tivemos que passar pelo rio logo abaixo do fim do Glaciar de Argéntiere, a água estava gelada!!!! Mas apesar de ser um formato diferente, tem o mesmo objectivo dos ultra trails, o de testar os nossos limites… objectivo este que foi a razão principal da minha participação.

A participação nesta prova surgiu quando estava a planear as provas que irei fazer este ano, pelo que obviamente procurei pelas provas mais curtas para o inicio do ano, aumentando gradualmente a distância delas de modo a me preparar para a prova que é o meu principal objectivo deste ano.

  • Qual o próximo desafio?

O “Tough Guy” foi de facto o primeiro desafio para este ano, que colocou bem alto o grau de dificuldade e de teste aos meus limites físicos e psicológicos. Como já referi na questão anterior, a participação nesta prova surgiu na planificação do calendário de provas a realizar este ano, e sendo assim, o plano de provas é sempre feito de modo a terminar com a prova mais dura… que será em Setembro!! Até lá irei fazer algumas provas como preparação, como mais relevantes, uma será um raid de BTT nos Alpes Suíços o “Grand Raid” com 120km’s e a outra será o “Ultra Trail du Toubkal”, um trail com 105km’s e 6500m de desnível que se realiza no início de Julho em Marrocos. Nesta prova terei a companhia do Nuno Caetano (que esta época irá realizar algumas provas de esqui alpinismo relevantes) e do Pedro Alves que irá comigo participar no grande desafio em Setembro… o “Tor des Géants”! Sem dúvida o maior desafio que eu e o Pedro iremos tentar nas nossas vidas… até ao momento!!!!! O “Tor des Géants” serão então 336km’s com 24000m de desnível positivo acumulado… NON STOP!!! 150 horas como tempo limite máximo, ou seja, 6 dias contínuos de esforço nos Alpes Italianos atingindo altitudes até os 3500m… um desafio que irá exigir uma preparação muito cuidada, que com a pouca experiência que tenho adquirido ao longo destes últimos anos, espero estar ao nível!!!

FOTOS :

Álbum Picasa de Gonçalo

VÍDEOS :

Reportagem

Perspectiva de um Tough Guy

  • Números e curiosidades do “Tough Guy”

▪ A prova contou com a participação de 5000 participantes, número este que é o limite de participantes, pelo que de certeza o número de tentativas de inscrição deve ter sido maior.

▪ 3683 conseguiram terminar.

▪ O vencedor foi Paul Vincent com o tempo total de 01:19.00.

▪ Lisa Foley foi a vencedora nas senhoras com a marca 01:37.53, posicionando-se na 119ª posição na geral.

▪ Gonçalo Silva classificou-se na 816ª posição levando 02:11.51 a completar o circuito inteiro.

▪ Esta edição contou com mais dois portugueses, o Henrique Harzee-Martins que ficou na 1067ª posição com o tempo 02:19.21 e Pedro Gomes Cordeiro na 2767º posição com o tempo 03:22.48.

▪ Realiza-se em Perton, próximo de Wolverhampton (Inglaterra).

▪ A prova foi criada nos anos 80 por um antigo veterano da guerra (conhecido como Mr. Mouse), que estava a ficar preocupado que os homens ingleses estavam a perder a sua virilidade.

▪ A prova existe a 20 anos e desde então foram investidos mais de 2 milhões de libras na construção e manutenção de 100 obstáculos numa quinta com 150 acres que pertence ao Mr. Mouse, onde vivem cerca de 200 cavalos que todos os anos são removidos para uma um outro local mais calmo.

▪ A prova não tem nenhum tipo de seguro, pelo que todos os participantes assinam uma “garantia de morte” onde ilibam a organização de qualquer responsabilidade de algum acidente que possamos sofrer, entramos na prova e fazemos os obstáculos por nossa única responsabilidade… a organização então antes da prova envia uma serie de documentos, onde indicam as possíveis consequências que podemos ter durante a prova e também como as prevenir, sendo as mais relevantes a hipotermia, quedas (e as possíveis escoriações e fracturas de ossos consequentes) e também a doença de leptospirose (também conhecida como Mal de Weil) que provêm de uma bactéria na urina dos ratos que ficam nas águas, e o contágio faz-se pelo contacto com feridas abertas, olhos, etc..

▪ A organização possui uma excelente logística a nível de socorro com uma equipa de médicos, enfermeiros, paramédicos e mergulhadores profissionais que respondem imediatamente a qualquer situação… em 1992 foi dos anos mais frios, tiveram 640 casos de hipotermia e prontamente tinham um hospital de campanha montado. Em pouco tempo recuperam um pessoa de uma hipotermia.

▪ À dois anos entrou um alemão apenas com uma tanga, sem luvas, toca, sem sapatilhas… nada!!!!!! O homem terminou a prova…

▪ As placas de gelo que cobriam os lagos e pequenas poças tinham 3/4cm de espessura, que pareciam facas a passar nas pernas.

Tough Guy 2010

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O atleta do Clube Aventura da Madeira Gonçalo Silva irá participar no dia 31 de Janeiro numa das provas mais duras e místicas, o Tough Guy!

Realizada em Perton (Inglaterra) esta invulgar prova realiza-se há mais de 20 anos, e a cada ano que passa com um aumento de participantes. Com 4 horas de tempo limite, os atletas irão passar por vários desafios que irão testar ao máximo os seus limites físicos, mas especialmente psicológicos. A dureza da prova é determinada não só pela dificuldade dos seus obstáculos, mas também pelas baixas temperaturas que se fazem sentir nesta altura na região, essencialmente dos lagos que atingem temperaturas abaixo de zero, que fazem aumentar exponencialmente as hipóteses de uma hipotermia!

TG5 TG3

Com uma distância total de aproximadamente 13km’s, a prova consiste em completar duas voltas a um circuito com várias secções, que são determinadas pelos seus obstáculos. Como obstáculos, os atletas terão que mergulhar em lagos gelados, rastejar debaixo de arame farpado, atravessar campos de lama, travessias de corda sobre lagos, campos de fogo, túneis sub-aquáticos, obstáculos verticais que atingem os 15 metros de altura, etc… no total serão perto de 40 obstáculos a superar.

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TG13 TG16

TG7

A prova realiza-se então no próximo dia 31 com início ás 11h (locais), independentemente do tempo… como eles anunciam, a prova chama-se “Gajo duro”, não há cancelamentos qualquer que seja as condições climatéricas.

De acordo com o site da organização, haverá webcam’s pelo circuito que irão transmitir em directo através do mesmo.

VÍDEOS :

An introduction to Tough Guy

Tough Guy 453 Trailer

Km Vertical Fully 2009

km verttical 09

Realizou-se a 24 de Outubro, na localidade de Fully (Suiça), mais uma edição do Km Vertical.

Colocada entre os percursos trails  e o esqui alpinismo, o propósito desta prova é simples, subir mil metros de desnível na menor distância! Das poucas provas deste género que existe, esta é a que mais se destaca, não só pelas suas caracteríticas, mas também por ser a prova escolhida pelo Kilian Jornet para estabelecer um novo recorde mundial…

Com a partida situada em Belle-Usine de Fully (500m), os atletas que foram saíndo em modo de contra-relógio com intervalos de 40 segundos, tiveram que percorrer 1920 metros com pendentes de 60º (algumas secções ainda ligeiramente superiores) para alcançar Garettes (1500m). Prova muito dura, especialmente nos metros finais onde os atletas completamente esgotados, todos curvados de olhar fixo no chão seguem ao longo de uma pequena multidão aos gritos, entusiasmados pelos tempos e classificações constantemente anunciados pelo animador no micro.

A prova foi ganha pelo veterano francês Serge Garnier, que estabeleceu o novo recorde para veteranos, apenas com 18 segundos de vantagem sobre  o outro francês Pierre Chauvet, campeão de esqui alpinismo e vencedor da edição anterior. Nas senhoras, a vitória não foi tão disputada, tendo sido ganha pela francesa Laetitia Roux estabelecendo o novo recorde feminino.

O recorde absoluto desta prova pertence ao Killian Jornet, que em 2007 terminou a prova em 31’52”.

CLASSIFICAÇÃO HOMENS :

1º Serge Garnier (França) 32:14.37

2º Pierre Chauvet (França)32:32.32

3º Jean Pellissier (Itália) 33.46.79

CLASSIFICAÇÃO MULHERES :

1ª Laetitia Roux (França) 37:55.56

2ª Victoria Kreuzer (Suiça) 40:07.82

3ª Clara Chauvet (Franca) 42:00.94

FOTOS

Trail des Aiguilles Rouges 2009

Passado dia 27 de Setembro, realizou-se no vale de Chamonix mais uma prova de trail, o Trail des Aiguilles Rouges. Prova que reúne alguns dos melhores especialistas da modalidade, devido a ser uma prova com um razoável grau de dificuldade em apenas 50km’s, com 3292m de desnível acumulado num terreno quase sempre muito técnico, impedindo uma progressão a um ritmo mais rápido.

Gonçalo Silva & Nuno Caetano

Esta edição contou a presença dos dois madeirenses Gonçalo Silva (Clube Aventura da Madeira) e o Nuno Caetano entre os 719 atletas à partida. A partida foi ás 5h da manhã em Vallorcine debaixo de ameaça de chuva, que acabou mesmo por cair logo a seguir ao primeiro km aumentando ainda mais a dificuldade do percurso. O início foi ainda de noite com uma pequena volta na vila de Vallorcine, por trilhos menos técnicos o que permitiu seguir a um ritmo mais rápido, mas na saída da vila para começar a subir para o primeiro controle no Refúgio de Pierre à Bérard (km 6,3), o trilhos começaram a ser mais exigentes o que fez já uma primeira triagem nos atletas participantes. Do refúgio até aos 2526m do Col de Salenton foram 600m de desnível num terreno muito técnico com pouco trilho definido, inexistente mesmo quase ao chegar ao cume onde somente seguia-se por entre enormes calhaus, escorregadios pela chuva que caía.
O início da descida do Col de Salenton até ao Refúgio Moede-Anterne (km 22,6) também foi algo complicada, num terreno mais regular mas com mais declive e escorregadio, que acabou por fazer algumas mossas nos atletas madeirenses, Nuno Caetano acabou mesmo por ser obrigado a desistir no controle seguinte por causa da forte tendinite que o impedia quase de andar e Gonçalo Silva teve uma queda que lhe afectou um pouco os joelhos e consequentemente o seu ritmo. Depois do Refúgio Moede-Anterne, foi preciso descer até aos 1587m da Pont d’Arlevé para então subir aos 2495m do Le Brévent (km 31,6), últimos metros para este controle bem morosos.
Os 12km’s seguintes foram os mais exigentes, pois foram num terreno técnico com muitas rochas até à Aiguillette des Houches (2285m) e então descer até Servoz (814m) num terreno perigoso com partes muito técnicas de declive muito acentuado e escorregadio. Depois de Servoz (km 43) até a meta em Les Houches (Le Lac) a única dificuldade foi a inclinada (mas curta) subida de La Venaz, mas sempre por terrenos mais regulares e fáceis de progredir, progressão que apenas continuava lenta pelo cansaço adquirido nos km’s anteriores.
Esta última parte do percurso, Gonçalo Silva seguiu na companhia de um dos atletas mais emblemáticos da modalidade. Logo á saída de Servoz, o atleta madeirense apanhou o Vincent Delebarre da Team Quechua e este simpáticamente foi até à meta com o atleta madeirense. Vincent Delebarre que conta com um currículo invejável, vencedor do Ultra Trail du Mont Blanc (2004), da Diagonale des Fous na Ilha da Reunião, duas vezes no Course des Templiers, cinco vezes campeão de França em Raid de Orientação e inúmeros pódios em diversas provas.

Como resultado final, Gonçalo Silva terminou em 88º posição na geral com o tempo de 08h25m entre os 535 atletas que conseguiram acabar a prova. Esta foi ganha pelo emblemático Dawa Sherpa juntamente com Ludovic Pommeres, ambos com o tempo de 06h19m enquanto que nas damas a prova foi ganha pela Maud Giraud com 7h19m.

TABELA DE PASSAGENS DE GONÇALO SILVA :
http://tar.livetrail.net/coureur.php?type=dossard&rech=694
CLASSIFICAÇÃO GERAL :
http://tar.livetrail.net/classentete.php?course=tar

Vicent Delebarre e Gonçalo Silva

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TAR3

TAR4